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Segurança do paciente: treinar o protocolo é marcar presença ou mudar a prática?

A Anvisa atribui ao Núcleo de Segurança do Paciente os programas de capacitação, mas não diz como ensinar. Cenários de decisão ensinam mais do que uma lista de presença.

A RDC nº 36/2013, da Anvisa, manda todo serviço de saúde constituir um Núcleo de Segurança do Paciente e atribui a ele a tarefa de desenvolver, implantar e acompanhar programas de capacitação. O plano de segurança deve tratar, entre outros temas, de identificação do paciente, higiene das mãos, segurança cirúrgica e uso de medicamentos. A norma não diz como ensinar nem com que frequência. Supomos que essa lacuna explica um vício comum: tratar o protocolo como conteúdo a apresentar, quando ele é uma decisão a treinar.

Ninguém erra a identificação de um paciente por desconhecer o protocolo. Erra porque a pulseira saiu no banho, há um homônimo no leito ao lado e a medicação já está atrasada. O conhecimento existe. O que falha é o julgamento sob pressão, e aula expositiva com assinatura no final não chega a esse ponto.

O recurso que mais se aproxima da situação real, sem risco para ninguém, é o cenário de decisão. No Moodle, a atividade Lição faz isso: apresenta um caso, oferece caminhos e leva cada escolha a uma consequência diferente, com retorno imediato. O profissional que decide administrar sem conferir vê o desfecho e volta ao ponto da escolha. Tecnicamente, a Lição guarda o percurso de cada pessoa, e não só a nota, de modo que o núcleo descobre em que passo do protocolo a equipe hesita. Esse dado orienta a próxima capacitação melhor do que qualquer lista de presença. Casos de cinco a dez minutos cabem na rotina da unidade e podem ser refeitos quando o protocolo muda.

Treinar protocolo é mudar prática, e prática se mede no trabalho: nos indicadores que o próprio núcleo acompanha e nos eventos que notifica. A plataforma entra antes, para ensaiar a decisão, e depois, para mostrar onde reforçar. Um bom começo é escolher o protocolo com mais incidentes no último ano, escrever três casos reais com a equipe assistencial e publicá-los como lições, tarefa que uma oficina de treinamento ensina a fazer. O registro de quem concluiu serve à vigilância sanitária. O mapa das hesitações serve ao paciente.

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