O Google Sala de Aula, ou Google Classroom, é a plataforma de aprendizagem mais presente nas escolas brasileiras: 30% delas o usaram em doze meses, contra 6% que usaram o Moodle, segundo a pesquisa TIC Educação 2024, do Cetic.br. Há boas razões para isso. A edição básica é gratuita, o uso é simples e ela já vem com e-mail e documentos. Nossa leitura é que a pergunta útil não é qual dos dois é melhor, e sim em que momento a escola passa a precisar do que o Sala de Aula não foi feito para entregar.
O primeiro sinal é de avaliação. Quando a coordenação quer reaproveitar itens entre turmas e anos, sortear questões por descritor e ver o desempenho questão a questão, precisa de um banco de questões, que no Moodle é nativo. O segundo é curricular: registrar o avanço por competência, e não só por nota, pede quadros de competências e planos de aprendizagem. O terceiro é de gestão: redes com várias unidades querem relatórios consolidados e ligação com o sistema de gestão escolar.
No ecossistema do Google, parte disso existe, mas na edição paga. A tabela oficial marca como exclusivos do Education Plus, que custa R$ 34 por usuário ao ano, a definição de escalas e períodos de avaliação, as análises por turma, estudante e atividade, e os complementos de terceiros. O quarto sinal é de governança: decidir em que servidor os dados dos alunos ficam e por quanto tempo.
Para uma escola que está começando, o Sala de Aula resolve, e trocar por trocar só gera custo. O Moodle passa a valer a pena quando a rede já sente falta de avaliação estruturada, currículo por competências, relatórios próprios e controle sobre os dados, e aceita o que vem junto: hospedagem, administração e formação de professores, frentes em que um serviço de treinamento encurta o caminho. As duas plataformas também convivem. O Google oferece conectores para usar seus documentos e videochamadas dentro de outro LMS.
