Na América Latina, o Moodle era o LMS principal de 73% das instituições de ensino superior no fim de 2023, segundo dados da ListEdTech analisados pelo On EdTech. A mesma análise registra que essa participação recuou 5% em oito anos e que o Canvas vem ganhando clientes, muitos deles vindos do próprio Moodle. Quem decide hoje compara, portanto, duas plataformas maduras. Partimos da ideia de que a lista de funcionalidades não desempata essa escolha. O que desempata é o modelo por trás de cada produto.
Código aberto, sozinho, não separa os dois: o Canvas publica o seu sob a licença AGPLv3, e o Moodle, sob a GPLv3. A diferença aparece em quatro perguntas que o comitê de escolha deveria responder antes de pedir propostas. Quem opera o ambiente? O Canvas é construído e oferecido em nuvem pela Instructure. No Moodle, a instituição escolhe entre infraestrutura própria, nuvem contratada ou um parceiro. Quem dá suporte? A Moodle lista cinco parceiros certificados no Brasil, e a licença permite que a equipe interna ou outro fornecedor assuma o ambiente a qualquer momento.
Quem define o rumo do produto? A Instructure deixou a bolsa em novembro de 2024, comprada pelos fundos KKR e Dragoneer por cerca de US$ 4,8 bilhões. O Moodle publica seu roteiro e ouve usuários e parceiros em grupos consultivos. Por fim, quanto do desenho de curso a instituição quer padronizar? O Moodle dá mais liberdade a cada disciplina, e essa liberdade cobra governança pedagógica: modelos de curso e formação docente.
Se a prioridade é contratar um serviço pronto e uniforme, o Canvas é uma opção consistente, e o mercado tem mostrado isso. Se a instituição quer decidir onde hospedar, quem contratar e o que personalizar, o Moodle preserva essas escolhas, ao preço de exigir mais decisão interna. O conselho prático é escrever as quatro respostas desejadas antes de abrir a concorrência e só então comparar valores, sempre na mesma métrica e na mesma moeda.
