Sete em cada dez alunos do ensino médio que usam a internet já recorrem a ferramentas de IA generativa em pesquisas escolares, e menos de um terço diz ter recebido orientação na escola, segundo a TIC Educação 2024, do Cetic.br. Na edição de 2025, respondida por gestores, 22% das escolas tinham um guia sobre o tema. O uso chegou antes da regra. Diante disso, proibir é inócuo, porque a ferramenta está no bolso do estudante, e liberar sem critério empurra a decisão para cada professor. Entendemos que existe um terceiro caminho, mais trabalhoso e mais honesto, que é governar.
Governar começa por decisões que não são técnicas: para que a instituição quer a IA, com quais dados e sob a supervisão de quem. O referencial publicado pelo MEC em julho de 2026 trata a supervisão humana efetiva como exigência nos processos educacionais que usam essas aplicações. No Moodle, essas decisões têm onde ficar. O administrador escolhe o provedor, entre serviços em nuvem e modelos executados em servidor próprio com o Ollama, opção que mantém os dados dentro de casa. E cada pessoa precisa aceitar uma política de uso antes da primeira interação.
O passo seguinte é o alcance. As ações disponíveis, como gerar um texto, resumir ou explicar o conteúdo de uma página, são ligadas ou desligadas uma a uma, e as permissões definem que papéis podem usá-las. Desde a versão 5.1, o controle desce ao curso e à atividade: o professor pode manter o resumo em um material de leitura e desligá-lo na semana de uma avaliação. Relatórios mostram quanto se usou e quem aceitou a política. É pouco vistoso, e é o que permite responder a um pai, a um auditor ou ao encarregado de dados.
Proibir e liberar têm em comum o fato de dispensarem trabalho. Governar exige escrever uma política curta, formar professores e rever as escolhas a cada semestre, porque as ferramentas mudam. Em troca, a instituição passa a saber o que acontece e pode ensinar o uso crítico, em vez de fingir que ele não existe. Um começo prudente é ligar um único recurso, em poucos cursos, com um provedor escolhido em conjunto pelo jurídico e pela TI, e ouvir professores e alunos ao fim de um bimestre.
