No relatório de sustentabilidade de 2025 da Neoenergia, um dos maiores grupos do setor elétrico, a força de trabalho reunia 27.328 terceiros e 15.525 empregados próprios. No mesmo documento, a participação em treinamentos de saúde e segurança foi de 48,6% entre os terceiros, menos da metade do índice dos empregados. O dado não é crítica à empresa, que o publica com transparência. É o retrato do desafio de qualquer contratante com tantas prestadoras. Suspeitamos que o ponto frágil desse arranjo não é a exigência de capacitação, e sim a conferência.
A exigência existe. A NR-01 determina que o programa de gerenciamento de riscos da contratante inclua medidas de prevenção para as contratadas que atuam em suas dependências, e o relatório citado informa que a documentação desses trabalhadores é avaliada. O problema é o meio: certificados em papel ou em arquivo, vindos de dezenas de empresas, com validades diferentes, conferidos às vésperas do serviço.
A alternativa é trazer as prestadoras para dentro do mesmo ambiente. No Moodle Workplace, cada contratada ocupa um espaço próprio, o mesmo recurso que separa franqueados de uma rede. Seu administrador cadastra as equipes e vê apenas as suas, enquanto a contratante acompanha todas em um painel único. O que muda a rotina é a regra: a certificação exigida para a atividade vira condição para liberar a ordem de serviço, com validade e aviso de vencimento. Há um ganho de aprendizagem que o papel não dá. Próprios e terceiros fazem o mesmo curso, com o mesmo padrão, e a norma admite convalidar o que o trabalhador já fez em outra organização, decisão que fica registrada.
Conferir papel em cima da hora é fiscalizar; exigir a certificação antes é prevenir. Contratantes que quiserem sair do primeiro modelo para o segundo precisam resolver três pontos, de preferência no contrato: quem cadastra e atualiza as equipes, quais certificações cada atividade pede e o que acontece quando uma delas vence no meio de um serviço. A tecnologia sustenta a regra, mas a regra tem de estar combinada com as prestadoras, que continuam sendo as empregadoras e as responsáveis por sua gente.
