A taxa de evasão nos cursos de educação a distância (EAD) chegou a 41,6% em 2024, contra 24,8% nos presenciais, segundo o Instituto Semesp, com base em dados do Inep. O número costuma ser lido como fatalidade da modalidade. Propomos outra leitura: boa parte dessa perda avisa com semanas de antecedência, e os avisos ficam gravados no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). O que falta, na maioria dos casos, é alguém designado para olhar e agir.
Abandono raramente é um evento. É um afastamento em etapas: primeiro o estudante deixa de participar, depois atrasa entregas, por fim para de entrar. Uma pesquisa com instituições reunida pela ABED indica que elas enxergam melhor o último degrau do que o primeiro, já que só 42% acompanham a participação em fóruns de discussão. É justamente o sinal precoce que passa em branco.
No Moodle LMS, cada etapa deixa um rastro próprio. A conclusão de atividades mostra, por estudante, o que foi feito e o que ficou para trás. Os relatórios personalizados cruzam esse dado com o último acesso e podem ser agendados para chegar sozinhos a quem precisa agir. Desde a versão 5.1, as discussões de fórum também alimentam esses relatórios. Na prática, o mediador recebe toda segunda-feira a lista de quem não concluiu a atividade da semana nem escreveu no fórum, e procura essas pessoas antes da prova, não depois. A tecnologia identifica. Quem retém é o contato humano feito a tempo.
O ambiente virtual não reduz evasão por existir. Reduz quando a instituição combina três coisas: quais sinais contam, quem recebe o alerta e em quantos dias o estudante deve ser procurado. Com isso definido, os relatórios deixam de ser retrato do passado e viram rotina de permanência, que a equipe de sustentação mantém funcionando a cada semestre. O texto de referência do CNE para as novas diretrizes da EAD, divulgado em julho de 2026 e ainda sem força de norma, aponta para o mesmo lado ao pedir plataformas que permitam monitorar o desempenho de cada estudante.
